8 de julho de 2010

Ad Infinitum, by Paula Dias

Com todo prazer quero postar o texto de uma amiga da época de colégio...PAULINHA!!! Sempre que eu lia este texto morria de vontade de citá-lo aqui e acabei pedindo à ela.

"Um impulso largado num largo pulso. E eu vivo tentando me convencer de que é melhor parar com essa coisa de ser gente superlativa e adotar uma postura mais blasé diante da vida. Eu me digo "agora já deu, daqui pra frente vai ser tudo diferente". E, cinco minutos depois, eu desisto da minha própria desistência. Porque eu estou para racionalizar e fracionar as emoções assim como a vida está para ser previsível: são coisas inversamente proporcionais, absolutamente incompatíveis. Eu gosto da trabalheira que dá esse vrummm no peito, causa e efeito do meu coração acelerado ad infinitum. Entende? Eu não tenho opção, foi a intensidade quem me escolheu. Há uma alma rebelde a contenções morando dentro de mim, e eu não mando nela"



Leia mais textos deliciosos como este no blog da Paula: http://desventurasbipolaresnaterradotranse.blogspot.com/

7 de julho de 2010

Férias!

Nem acredito que enfim chegaram as férias...eu estava MESMO precisando! Gosto demais de férias, mas quem não gosta?!

Quando eu era criança, sonhava pra que chegassem logo e aproveitava ao máximo cada segundo. Brincadeiras de rua eram as minhas prediletas: queimada, taco, esconde-esconde e pega-pega. Os patins também não ficavam pra trás, era tudo tão divertido! Férias das aulas de Piano, do ballet, da escola...! Tudo que havia pedido a Deus.

Acordar mais tarde, nada de dormir cedo e nem de lição de casa pra fazer. Professora agora, só eu mesma! Eu tinha uma lousa tamanho família e adorava dar aulas pras minhas amigas e primas na garagem de casa.

Também me lembro das noites de férias lá em casa, tínhamos uma mesa de Snoker e outra de Pebolim, “brinquedos” suficientemente atraentes pra juntar a meninada toda num salão que ficava nos fundos da casa. Estas noites eram incríveis!

Mas de todas estas lembranças existem algumas que ocupam o lugar de sessões especiais de férias, as viagens. Minha mãe conta que numa sexta-feira à tarde, meu pai chegou e disse: "Vamos dar uma volta!", colocou a família toda no carro e foi dirigindo sentido a Rio Santos, parou em Parati e depois em Angra até que chegamos no Rio de Janeiro e ele decidiu: "Melhor dormirmos por aqui!". Passamos numa loja e compramos pijamas e, por fim, passamos o final de semana por lá mesmo.

Meu pai e depois todos nós lá de casa, era apaixonado pelo Rio de Janeiro (cidade onde ele serviu no exército com pára-quedista) Copacabana de preferência e embora tenhamos feito muitas viagens de carro a outros lugares como Argentina, Uruguai, Foz do Iguaçu, Bahia e Rio Grande do Sul, entre outros, o Rio sempre nos pareceu o melhor destino.

Por exemplo, o Ano Novo, sempre no Rio! Que continuava, ano após ano, lindo!

Estas viagens de carro eram boas desde os primeiros momentos na estrada. Minha mãe cantava músicas e contava histórias, obviamente, nos intervalos das fitas que tocavam os Boleros prediletos do meu pai. De vez em quando ainda acordo cantando ou assoviado algum deles.

Meus irmãos me obrigavam a sentar no meio do banco e eu, caçula, não tinha muito como discutir, morria de inveja de não ir sentada na janelinha. Mas teve uma vez que consegui! Fui na melhor janelinha de todas, a janelinha do avião no qual fizemos nosso primeiro vôo, Ponte Aérea São Paulo-Rio, lógico. Isso foi incrível!

Hoje, adulta, em meio aos preparativos pra minha viagem de férias da próxima semana, me peguei com essas lembranças na mente e me deu uma saudade tão grande...!

Saudades das minhas férias de infância e saudades do meu pai.

29 de junho de 2010

Todas transpiramos pelas mesmas coisas

Estava pensando o quanto este slogan da nova propaganda da Rexona, estrelado por Camila Pitanga, diz a nós mulheres.

Quando assisto a ela, me lembro da pesquisa na qual estou envolvida (meu TCC), cujo tema é: Mulher Contemporânea: As pressões sociais e sua subjetividade.

O objetivo deste estudo é investigar as concepções da mulher contemporânea: casada, com filho(s) e profissionalmente ativa, na tentativa de compreender sua forma de ser diante da manutenção do lugar do feminino.

Outros aspectos observados foram os fatores estressantes contidos nesta realidade, bem como os ganhos de ter uma vida social potencialmente mais ampla, em termos pessoais e profissionais, comparados aos de épocas anteriores.

Foi muito gostoso entrevistar estas mulheres e ouvi-las contar pelo que transpiram, todas pelas mesmas coisas, certamente: tempo com os filhos, prazos profissionais a serem cumpridos, cuidados pessoais, relacionamento conjugal, criatividade e energia extra para lidar com o mito de beleza da sociedade contemporânea e uma intensa preocupação em não abandonar seus sonhos familiares, que incluem o desejo de ter outros filhos, embora este sonho seja deixado de lado, em alguns casos, por causa do receio de não dar conta de um quantum extra de suor.

Mas esta é apenas uma porção de toda população feminina mundial a experimentar realidades jamais pensadas antigamente. Ao todo somamos milhões de gandulas sudoríparas, ativadas pela determinação e garra femininas.

Sem esquecer que, durante muito tempo a nossa expressão esteve bloqueada pelo machismo que nos calava com suas regras discriminatórias, promovendo´, inclusive, a extinção da possibilidade de desejar e de se queixar.

Apesar de hoje vermos destacada a importância da representação social feminina, muito ainda há para ser conquistado. Meu desejo é que nesta caminhada possamos ter mais suor do que lágrimas.

Leia sobre o tema::

ARÁN, M. Os Destinos Da Diferença Sexual Na Cultura Contemporânea. Revista Estudos Feministas, July/Dez 2003, Vol 11, n.2, Florianópolis. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-026X2003000200004&script=sci_arttext&tlng=in

CORREIA, G. B. Sexualidade e Maternidade: “nós” e “laço” de um fenômeno cultural. Revista Brasileira de Sexualidade Humana, 1997, nº 1, v8, São Paulo. Disponível em: http://www.adolec.br/bvs/adolec/P/pdf/volumes/volume8_1.pdf#page=11.

SOUZA, D. B. L.; FERREIRA, M. C. Auto-estima pessoal e coletiva em mães e não-mães. Psicologia. Estud. , [online]., vol. 10, n. 01, pp. 19-25. ISSN 1413-7372. Maringá, 2005
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-73722005000100004&script=sci_pdf&tlng=pt

ROUDINESCO, E. A Família em Desordem. Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 2003

WOLF, N. O Mito da beleza: como as imagens de beleza são usadas contra as mulheres. Editora Rocco LTDA. Rio de Janeiro, 1992.

27 de junho de 2010

Óidipous (Édipo), filho de Laios

Na última sexta-feira, fui assistir ao espetáculo teatral: Óidpous, filho de Laios, uma transcrição do texto de Sófocles: Édipo Rei.

Entende-se por transcrição a criação que se dá a partir de uma tradução de tal forma seletiva, que produz um texto original.

No caso desta peça, assistimos a uma interpretação de ordem Psicanalítica e Filosófica da estória de Édipo, baseada, porém, num ponto de vista diferente do de Sófocles: centraliza a maldição herdada por Édipo dos atos de Laios, seu pai, e aborda a ignorância do filho diante dela, fazendo uma interessante relação entre o enigma da esfinge e o significado de seu nome.

Outro detalhe que diferencia o texto é apresentação do oráculo de Delfos como a representação do que se encontra inscrito no inconsciente e que permanece obscuro, embora insista em ressurgir e se ver cognoscível e satisfeito, num mover próprio do recalcado.

A peça mistura conteúdos gregos, como algumas palavras usadas no roteiro, e figurino, segundo o autor, inspirado nos índios do Xingu.

Em termos estéticos, esta é uma produção bastante interessante, o visual indígena se destaca em corpos definidos e expressões corporais que misturam leveza, intensidade e delicadeza, esta última distinguida em movimentos expressivos de mãos que se sobressaem aos rostos escondidos por máscaras e pinturas.

Esta mistura de linguagem, figurino, expressão corporal e a música – algumas vezes barulhenta demais, foi o que me ligou ao espetáculo, despertando mais conteúdos inconscientes do que o próprio roteiro, prejudicado por uma preocupação, aparentemente intensa do diretor, em garantir a impossível obviedade do simbólico.

Esta composição teatral peca naquilo que deveria ser sua principal estratégia: deixar que o latente atue no papel principal de maneira a possibilitar aos espectadores insights talvez suaves, embora não menos poderosos, do que o ruído mudo que toma conta do nosso psiquismo diante das diferentes formas de expressões artísticas.

A sensação que eu tive, foi que alguns detalhes desta produção, como as duas explicações contextuais dadas pelo diretor no começo e no meio da apresentação e a inclusão de uma piada sem graça, além de um palavrão atual e pouco harmônico ao conjunto, impediram que instintivamente percebessemos a oscilação afetiva que uma boa composição teatral nos provoca.

É como se a produção tomasse o papel de um ego frágil que se defende para impedir elaborações que parecem ameaçar a segurança da costumeira estagnação que tenta defini-lo a todo instante.

Enfim, o espetáculo poderia ser bem mais tocante, não fosse a aparente preocupação didática (e intrusiva) do seu criador ao que se refere aos conceitos e à compreensão Psicanalítica.

No final do espetáculo, dois psicanalistas discutiram a produção, que de muito longa, acabou provocando a saída da maioria dos espectadores e deixou a platéia quase vazia nesta hora.

22 de maio de 2010

Laranja Mecânica: uma análise sob a perspectiva ética

O Laranja Mecânica (1971) mostra um futuro próximo, no qual a sociedade seria um caos. Para expressar essa idéia, a trama apresenta o cotidiano de Alex e seus amigos, governado pelo prazer na violência extrema. Em função disso, Alex vai preso por assassinato e, posteriormente, passa por um tratamento “moderno” que consiste em condicioná-lo ao padrão de conduta social vigente. O filme apresenta sinais da transitoriedade da moral moderna para outra da chamada Era pós dever, vista aliás, nos dias de hoje.

A Ética Filosófica Moderna está atrelada à noção de dever absoluto e tem como intuito libertar o homem do poder de seus impulsos irracionais, para isso, disseminou um método sistemático de conduta racional.

Este sistema de regras se apresenta recortado pela obrigação moral que estabelece disciplinas repressivas possibilitadas por meio da “primazia do controle no cotidiano moderno” (FOUCALT, 1996). Atrelado a isso, estão promessas de felicidade e realização possíveis, desde que sob a obediência ao sistema.

Esta combinação de fatores acabou por promover mecanismos de inclusão e exclusão, na medida em que as demandas sociais dos grandes centros tornavam-se incontroláveis. Eis a ambivalência da ética moderna: a impossibilidade prática de responder aos seus ideais, gerando contradições significativas.

O mal estar causado por essa realidade culminou na crise que impulsionou as sociedades ocidentais à nova perspectiva cultural e ética classificada pela Era do pós dever, discussão encontrada no filme Laranja Mecânica, que vislumbrou da falência da Ética Moderna e suas regras, tidas como eficazes na extinção de valores anormais à sua perspectiva.

Inaugurando modos inéditos de comportamento, Alex e seus amigos buscam o oposto das regras modernas de moral e repressão e têm como ideal de prazer a quebra de paradigmas sociais, eles são os “estranhos” que não se encaixaram no modo de vida imposto pelo sistema capitalista, denunciando que não há uma ordem total.

Um cenário bastante confuso, no qual convivem diferentes fenômenos que mesclam a moral moderna e era do pós dever, identificados nas máscaras usadas para cometer atos de vandalismo, dando uma idéia de dualidade; bem como o fato dos garotos beberem leite antes de sairem para praticar atos de vandalismo, o que denota a idéia da pureza perseguida pela modernidade ao mesmo que faz alusão ao nazismo (também representado nas roupas e nas atitudes de Alex e seus "druguis" - palavra originária do russo druk, amigo), e, por fim, a devoção à 9 sinfonia de Beethoven, usada como uma ode à moral e à cultural da época de sua criação. Lemos:

“Lipovetsky (2005) caracteriza essa convivência de dois discursos contemporâneos afirmando que de um lado, há um novo impulso moral; de outro, há o abismo da decadência, atestado pelo aumento da violência, da delinqüência e dos movimentos fundamentalistas, além do aumento das drogas e as novas formas de miséria” (MAIORINO, 2007, p. 1).

O tratamento pelo qual Alex passa na trama sugere a ideologia Moderna em sua totalidade: ele é um estranho frente à sociedade e por isso é submetido a uma técnica que busca condicionar o jovem de forma a encaixá-lo aos valores modernos, a ciência é posta em prática na busca pela ordem.

O filme também faz alusão ao Panopticum – modelo prisionário analisado por Foucault:

“O tratamento Ludovico visa a sujeição direta e automática, involuntária do indivíduo desviante através de seu condicionamento corporal, inscreve-se assim no moderno regime escópico do panopticum precisamente como um mecanismo automatizante de controle destinado á prevenção de falhas do funcionamento social disciplinar. A história do tratamento Ludovico é uma história falhada” (FREITAS, 2008. p.28)

Frente a estes aspectos, o filme apresenta a dicotomia entre a valorização do indivíduo, decorrente do contexto histórico da pós modernidade (neo individualismo) e as concepções ainda não abandonadas a respeito da adequação ao que é socialmente aceito – representando os ideais modernos.

Leia mais em: FREITAS, M.R.B. “O Panoptismo no Cinema: a Construção do Espaço Através do Olhar”. Disponível em: http://www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/0610539_08_pretextual.pdf

Surpresa

De repente retorna
Um passado distante
Com sintoma ofegante
E promessa de volta

Espero na porta
E penso ao abrir
Melhor dar meia volta
E te deixar partir

Choro e sorriso
Amor e saudade
Ameaça e perigo
Ou Felicidade?

Notícias cedidas
Enfim a despedida
Verdade despida
Um ponto final.

16 de maio de 2010

Pesto de Rúcula

Pesto vem do italiano pestare, que significa triturar. Antigamente, na Itália, este processo era feito por meio de um mortajo, que consiste em um pequeno pilão de mármore, mas hoje em dia usa-se o prático e eficiente amigo liquidificador.

O molho pesto necessariamente leva muito azeite e nozes, além de um bom queijo italiano ralado, mas, diferentemente do que muita gente pensa, o molho pesto não precisa ser necessariamente feito com manjericão. Uma receita deliciosa de pesto feita com rúcula agrada o paladar de qualquer convidado, pode acreditar!

Nas palavras da profissional Marcella Hazan, autora do livro “Fundamentos da cozinha italiana clássica”: “O pesto nunca é cozido ou aquecido e, ainda que possa eventualmente ser muito bom para a sopa de legumes, tem apenas um grande papel: o de ser o mais sedutor de todos os molhos para massas”.

Há 2 meses fui a um restaurante e experimentei um Tortelloni de Cogumelos ao Molho Pesto de Rúcula. E decidi preparar este prato aqui em casa.

Passei logo cedo numa casa nova de massas em Pinheiros, mas infelizmente não encontrei o Tortelloni de cogumelos. Acabei comprando outra massa com recheio de mussarela de búfala e manjericão. Depois fui até o Mercado Municipal de Pinheiros e comprei a noz e o queijo.

Ficou bom demais! O pesto de rúcula tem um sabor mais suave do que o de manjericão e, por causa das folhas maiores, rende mais. Pode-se também acrescentar um pouco de manjericão neste molho pra intensificar o aroma do prato, eu não o fiz, porque a massa que comprei era recheada com manjericão.

Segue a receita do molho. Esta quantidade serve 4 pessoas:

PESTO DE RÚCULA

• 1 maço médio de rúcula

• 8 ramos de salsinha

• 3 dentes de alho

• 1 xícara (chá) de azeite de oliva

• 50g de nozes

• 80g de Parmesão Italiano Cativa (5 colheres de sopa cheias)

• Uma colher de sobremesa de Sal grosso


Preparo:

Lave a rúcula, seque e elimine a parte mais dura dos talos. Coloque o alho e o azeite de oliva no liquidificador e bata até obter uma pasta. Acrescente a rúcula e bata na função pulsar até triturá-la. Adicione as nozes, o queijo, o sal (e se quiser um pouco de pimenta do reino) e bata por alguns segundos. O molho está pronto.

Na hora de servir, misture ao pesto 2 colheres de sopa da água fervente usada para cozinhar a massa. Sirva com a massa recém cozida em pratos aquecido.

Dica: Para congelar o pesto: Prepare o molho até o final da segunda etapa e congele-o sem o queijo, que deve ser adicionado quando o molho for descongelado, apenas na hora de servir.

Uma colher de sopa tem 90 calorias!

14 de maio de 2010

INside

Um sorriso, um olhar
Tantas idéias na mente
A interpretação do desejo
Impede o contato frente a frente

Pro suspiro não virar gemido
E trair o disfarce adquirido
Pra que se mantenha o proposto
Em prol de coração disposto

Vontades indizíveis
Desejos escondidos
Um toque permitido
Mas no íntimo proibido

Energia e movimento
Camuflados no silêncio
Energia e movimento
Paralisados no tempo

Querer querer e temer querer
Querer não querer e não conseguir interromper
O controle sobre mim e o impedir da ação
O controle de você anseia a movimentação

Os cheiros despertam o instinto
Provocam arrepios sucintos
E a mistura do antigo e do agora
Faz ressurgir sem demora

Aquilo que ficou suspenso
Agora sob perigo intenso
Por causa de uma paixão forte
Que nos faz perder o norte