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11 de fevereiro de 2011

Fernando Pessoa...pra alimentar a alma

O amor, quando se revela...


O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.


Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer


Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!


Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

7 de dezembro de 2010

Despedida

O fim faz lembrar o começo:
O frio na barriga
E todas as incertezas
Os planos futuros como luzes acesas


Coisas novas na agenda
E os sentidos nelas focados
Soma-se tarefas inéditas
Abandona-se hábitos passados


E o fim recomeça
Bem juntinho do início
Todo momento ao seu lado
Sussurrando com um suplício


É só questão de tempo
Lá vem o fim despontando
O meio passaria menos rápido
Não fosse o fim o apertando


A hora do adeus é inevitável
Mas só alguns conseguem ficar
Distraindo-se com lembranças do vivido
Que por vezes fazem o coração apertar


Outros preferem partir
Por vontade ou impossibilidade
De se despedir finalmente
E reiniciar o presente.

22 de maio de 2010

Surpresa

De repente retorna
Um passado distante
Com sintoma ofegante
E promessa de volta

Espero na porta
E penso ao abrir
Melhor dar meia volta
E te deixar partir

Choro e sorriso
Amor e saudade
Ameaça e perigo
Ou Felicidade?

Notícias cedidas
Enfim a despedida
Verdade despida
Um ponto final.

14 de maio de 2010

INside

Um sorriso, um olhar
Tantas idéias na mente
A interpretação do desejo
Impede o contato frente a frente

Pro suspiro não virar gemido
E trair o disfarce adquirido
Pra que se mantenha o proposto
Em prol de coração disposto

Vontades indizíveis
Desejos escondidos
Um toque permitido
Mas no íntimo proibido

Energia e movimento
Camuflados no silêncio
Energia e movimento
Paralisados no tempo

Querer querer e temer querer
Querer não querer e não conseguir interromper
O controle sobre mim e o impedir da ação
O controle de você anseia a movimentação

Os cheiros despertam o instinto
Provocam arrepios sucintos
E a mistura do antigo e do agora
Faz ressurgir sem demora

Aquilo que ficou suspenso
Agora sob perigo intenso
Por causa de uma paixão forte
Que nos faz perder o norte

2 de maio de 2010

Em boa companhia

Posso ouvir o fragor como a queda de um muro
Mas é um feixe de luz
Estilhaçando o escuro

A luz toma tanto espaço quanto a presença de um amigo
Ela clareia a estrada
Mas é ele o meu abrigo

Aperta minha mão um pouco mais forte e me conduz ao destino
Me ajuda a não desesperar
Nem cometer desatino

Suas mãos me dão motivo pra andar lugares que ainda me esperam
Intrigantes labirintos
Que aos poucos se desvelam

Numa forma indefinível cada passo se coreografa
O ritmo é dado pelo desejo
E a angústia logo passa

Os atalhos insistem e me querem desviar
Dão indício de cansaço
Pois falta um tanto pra chegar

O feixe de luz cresce e continua a iluminar
Mostra o bom e o ruim
Decido então continuar

Sigo bem acompanhada de uma voz amorosa, persistente
Que me leva a entender
Tudo o que meu corpo sente

A esperança de futuro me faz cruzar trilhas e planaltos
Os atravesso e então percebo
Que tenho sonhos mais altos

Desejo encontrar um lugar onde eu possa descansar
Mas a vida não me permite
Existir só pra sonhar.

10 de fevereiro de 2010

Revesus

O contrário, o avesso, simples aparência
Não decido se te esqueço ou te mantenho em latência
O sopro futuro me lembra o passado
Um salto no escuro, um adeus atrasado

O contrário, o avesso, o fim e o começo
Minutos são horas enquanto adormeço
Um sonho é um momento do lado de dentro
Imagens, idéias de medo ou de alento

Ao contrário, no avesso, incerta aparência
Parece com algo, mas apenas na essência
Horas são minutos? Vivência de amor!
E minutos são horas em meio a dor

O contrário, o avesso, não tão simples assim
Confusão de sentidos a espera do fim
O lado certo, o lado errado, diferentes formas de ver
O lado de dentro e o de fora são recortes do viver

O avesso do contrário, o visível natural
O contrário do avesso, apenas a forma original
O mover do pensamento, o virar e o revirar na mente
Idéias soltas são símbolos do tudo que se sente

Ao contrário do agora
Pelo avesso de outrora
O esforço de mexer
No desejo de entender

O claro e o contraditório
Que constitua a lembrança
De um sentido ressentido
Que movimente a balança

29 de dezembro de 2009

Natura todo dia...por Arnaldo Antunes

Eu sou o tipo de pessoa que adora apreciar as palavras, especialmente quando a combinação de muitas formam um texto que toca a alma! Admiro a beleza do que é dito entre linhas e que pode adquirir significados e despertar significantes diferentes em cada leitor.
Gosto muito da construção do texto declamado na propaganda da Natura, gosto de cada frase.
Acho lindo imaginar que, mesmo falando de coisas corriqueiras, daquilo que é comum à experiência de qualquer pessoa, o texto desperte diferentes memórias e, possivelmente, não tão diferentes sensações em nós, seres essencialmente afetivos - passíveis de serem afetados pela beleza de um bom texto.
Gosto de lembrar que a rotina ainda existe num mundo tão ansioso por novividades, pensar isso me traz paz, traz a tranquilidade inserida na percepção de que é possível desacelerar um pouco. Saber posso ser eu mesma, permanecer incluída na minha mesmisse, no meu idêntico que cabe no dia-a-dia da minha identidade. Baixar a ansiedade de mudar por causa da fantasia de ser mais interessante, diferente!

Rotina

A idéia é a rotina do papel.
O céu é a rotina do edifício.
O inicio é a rotina do final.
A escolha é a rotina do gosto.
A rotina do espelho é o oposto.
A rotina do perfume é a lembrança.

O pé é a rotina da dança.
A rotina da garganta é o rock.
A rotina da mão é o toque.
Julieta é a rotina do queijo.
A rotina da boca é o desejo.

O vento é a rotina do assobio.
A rotina da pele é o arrepio.
A rotina do caminho é a direção.
A rotina do destino é a certeza.
Toda rotina tem sua beleza.

23 de dezembro de 2009

Poetizando

A intensidade me instiga
A felicidade me ilude
Quero parar, preciso pensar, preciso conter!
Um calor que surge do nada e aquece de um jeito...
Preciso pensar, quero parar, preciso conter!

Volte pra longe, como estava outro dia
Foge sem medo de perder seu lugar
E volta pra cá, depois de algum tempo
Volta e me aquece, preciso pensar!

Preciso conter o que não pode ser visto
Preciso deter todo imprevisto
Preciso pensar, preciso parar!

A batida aumenta e ecoa em meu todo
Mãos e silêncio, suspiros incertos, desejo o desejo
Preciso pensar, não quero parar, não posso conter!

13 de outubro de 2009

À luz da escuridão

Olhos fechados, prefiro não abrir
Medo de olhar, medo de ver, de constatar
O escuro é seguro ainda que eu nada veja
E esse medo que não chega de assustar e me prender
A voz se cala e de muda, grita!
Num tom inaudível tenta despistar, destemer
O profundo escuro obscuro e duvidoso, mas seguro, seguro!

O tempo vai passando e o que antes era escura-mente ideal
Perde o sentido, precisa mudar.
Claro que sim! Tão claro assim quanto a segurança do antigo
Embora aquele, tão escuro, fosse suficiente pra mim.
Como a força de uma onda meus olhos insistem em abrir
Ao me deparar com a ausência do escuro
A angústia não me deixa ver

Aos poucos vou me acostumando
Na medida em que sigo sonhando
Já não me basta mais o escuro
Prefiro agora o brilho inseguro do experimentar constante
Ainda que de fugazes instantes.

6 de setembro de 2009

Desejo de trazer esperança

Que a vida te surpreenda de alguma forma!
Que este dia seja menos amedrontador do que está se mostrando agora.
Que o poder de desesperar que seus medos têm se enfraqueça.
Que sua visão se alinhe à realidade das suas possibilidades
E te permita respirar pausadamente.

Se você pudesse ver do ângulo que eu posso.
Um ângulo livre da influência da ansiedade e da dor que seu coração sente...
Se você pudesse ver daqui da onde eu vejo,
Verdadeira e humanamente.

Se eu pudesse te daria meus olhos por alguns instantes, pra te fazer lembrar da sua essência, da sua beleza, “lembrar de você”!
Se eu pudesse te daria meus olhos!
Pra te trazer esperança!
“Fica” bem!