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27 de junho de 2010

Óidipous (Édipo), filho de Laios

Na última sexta-feira, fui assistir ao espetáculo teatral: Óidpous, filho de Laios, uma transcrição do texto de Sófocles: Édipo Rei.

Entende-se por transcrição a criação que se dá a partir de uma tradução de tal forma seletiva, que produz um texto original.

No caso desta peça, assistimos a uma interpretação de ordem Psicanalítica e Filosófica da estória de Édipo, baseada, porém, num ponto de vista diferente do de Sófocles: centraliza a maldição herdada por Édipo dos atos de Laios, seu pai, e aborda a ignorância do filho diante dela, fazendo uma interessante relação entre o enigma da esfinge e o significado de seu nome.

Outro detalhe que diferencia o texto é apresentação do oráculo de Delfos como a representação do que se encontra inscrito no inconsciente e que permanece obscuro, embora insista em ressurgir e se ver cognoscível e satisfeito, num mover próprio do recalcado.

A peça mistura conteúdos gregos, como algumas palavras usadas no roteiro, e figurino, segundo o autor, inspirado nos índios do Xingu.

Em termos estéticos, esta é uma produção bastante interessante, o visual indígena se destaca em corpos definidos e expressões corporais que misturam leveza, intensidade e delicadeza, esta última distinguida em movimentos expressivos de mãos que se sobressaem aos rostos escondidos por máscaras e pinturas.

Esta mistura de linguagem, figurino, expressão corporal e a música – algumas vezes barulhenta demais, foi o que me ligou ao espetáculo, despertando mais conteúdos inconscientes do que o próprio roteiro, prejudicado por uma preocupação, aparentemente intensa do diretor, em garantir a impossível obviedade do simbólico.

Esta composição teatral peca naquilo que deveria ser sua principal estratégia: deixar que o latente atue no papel principal de maneira a possibilitar aos espectadores insights talvez suaves, embora não menos poderosos, do que o ruído mudo que toma conta do nosso psiquismo diante das diferentes formas de expressões artísticas.

A sensação que eu tive, foi que alguns detalhes desta produção, como as duas explicações contextuais dadas pelo diretor no começo e no meio da apresentação e a inclusão de uma piada sem graça, além de um palavrão atual e pouco harmônico ao conjunto, impediram que instintivamente percebessemos a oscilação afetiva que uma boa composição teatral nos provoca.

É como se a produção tomasse o papel de um ego frágil que se defende para impedir elaborações que parecem ameaçar a segurança da costumeira estagnação que tenta defini-lo a todo instante.

Enfim, o espetáculo poderia ser bem mais tocante, não fosse a aparente preocupação didática (e intrusiva) do seu criador ao que se refere aos conceitos e à compreensão Psicanalítica.

No final do espetáculo, dois psicanalistas discutiram a produção, que de muito longa, acabou provocando a saída da maioria dos espectadores e deixou a platéia quase vazia nesta hora.

23 de dezembro de 2009

Quebra Nozes...Emocionante!

Quanta emoção um espetáculo de ballet pode te causar? Se me fizessem esta pergunta há menos de uma semana eu não saberia responder, mas agora eu consigo inclusive descrever cada sensação que tive nos diferentes momentos da apresentação. No último sábado eu assiti ao ESPETÁCULO de Ballet QUEBRA NOZES em montagem da coreógrafa Dalal Achcar para o corpo de bailarinos do Municipal do Rio de Janeiro. Após ter estudado nas melhores escolas de Nova York, Londres e Paris, a carioca Dalal tornou-se conhecida como uma esplêndida bailarina, professora e coreógrafa de ballet. Eu só posso dizer que ela merece, as coreografias são deslumbrantes!

Assistir ao ballet foi, enfim, uma experiência incrível, não só porque a apresentação foi maravilhosa, mas também porque eu tenho verdadeira paixão por dança. Durante a apresentação, fascinada por meias-pontas perfeitas e pela graciosidade e excelência na execução de arabesques, piruetas, attitudes, fouettés e chacéss, eu me senti em uma dimensão diferente, hipnotizada diante do poder de acelerar meu coração que a música de Tchaikowsky e a aquela coreografia tinham. A palavra Ballet é derivada do italiano ballare, que significa bailar, mas o que eu assisti no sábado foi muito além da definição "auréliana" de bailar, aqueles bailarinos flutuavam através de multiplas piruetas, ora no chão, ora nos ares.

A estreia de o Quebra Nozes se deu em 18 de Dezembro de 1892 com coreografia original de Marius Petipa (1818-1910), na Rússia, porém, assim como outras obras de Tchaikowsky - O Lagos dos Cisnes e a Bela Adormecida, o ballet Quebra Nozes se ocidentalizou, tendo sido apresentado primeiramente em 1954 no New York City Ballet com coreografia de George Balanchine e posteriormente por Rudolf Nureyev, Royal Swedish Ballet (1967) e England's Royal ballet (1968) e Mikhail Baryshnikov, American Ballet Theatre (1976). Com tantas produções, o Quebra Nozes se tornou um dos mais famosos espetáculos no clássico repertório natalino, no teatro, no balé e no gelo.

Outro fator que colaborou para difundir esta obra se deve ao fato de Tchaikowsky utilizar-se em sua composição de elementos de diferentes culturas, como é o caso do "Divertissement" (Divertimento), momento do segundo ato no qual assitistimos uma seqüência de danças de caráter, como o Chocolat: Danse Espagnole (Chocolate: dança espanhola) que se trata de um bolero estilizado destacando-se um solo de trompete e castanholas. É também nesta obra que ouvimos uma das músicas mais conhecidas de Tchaikowsky - aquela que toca no comercial de Natal do Shoping Bourbon, sabe?!.
Uma curiosidade do Quebra Nozes é que, embora as suites de balé sejam normalmente realizadas depois da peça pronta, no caso desta obra foi elaborada ao mesmo tempo de sua composição.

A História:

Se passa no século XIX, na Europa Oriental. Como prefeito da cidade, o médico Jans Stahlbaum realiza uma grande festa de Natal para sua família e amigos. Seus dois filhos, Clara e Fritz, esperam ansiosos por seus convidados que chegam com as mãos cheias de presentes para as crianças, mas é o presente que Clara recebe de seu padrinho que a encanta, um quebra-nozes que em seguida é quebrado pelo irmão da menina. Fato que deixa Clara completamente desapontada. Mais tarde, os convidados começam a deixar a casa e Clara vai para a cama, sem conseguir dormir, volta ao salão onde havia acontecido a festa e adormece numa poltrona com seu boneco nos braços. Neste momento começa a aventura da garota com o boneco quebra nozes que toma vida, luta com ratos malvados comandados pelo Rei dos Ratos e que são corajosamente derrotados pelo quebra-nozes.
O passeio de Clara e o boneco quebra-nozes continua por diferentes cenários acompanhados por lindas coreografias realizadas por bailarinos fantásticos.

Vale a pena assistir!