12 de dezembro de 2010

Realização profissional

Ser bem sucedido profissionalmente tornou-se uma cobrança social intensa desde a modernidade e passou a compor a lista de itens que supostamente garantem a felicidade prometida pela cultura capitalista representada pelo sucesso e pelo potencial de consumo.


Ontem fui a uma festa de aniversário e em dado momento iniciou-se uma conversa a respeito disso. Um dos convidados perguntou ao meu marido o que ele “faz da vida” e todas as atenções se voltaram para a sua resposta sobre ter abandonado uma carreira promissora no banco para cursar Psicologia em tempo integral.


Um mix de espanto, inveja e curiosidade tomou conta da roda, fator que em nada me espantou, já que essa reação é bastante freqüente diante desta afirmação, mas me chamou a atenção a resposta (no sentido de reagir a) do convidado que havia perguntado. Ele começou a declarar sua admiração à coragem pela decisão do meu marido. Num tom de entusiasmo ele dizia que concordava e entendia aquilo como uma atitude digna de cumprimentos! E logo depois falou um pouco sobre seu desprazer profissional no mundo coorporativo, falou de toda competitividade e stress e de como sonhava em deixar tudo e ir fazer faculdade de nutrição ou de educação física.


Isso tudo ficou na minha cabeça. Acabo de finalizar um curso de Psicologia de 5 anos e tenho pensado bastante sobre o tema “recomeço profissional”.


Ouvir aquele rapaz me trouxe orgulho por minhas escolhas, ainda gosto demais da educação física e agora poderei atuar também como psicóloga. Tenho muitos planos e nesse primeiro momento e o privilégio de permanecer num trabalho que gosto tanto e iniciar outro sem o stress financeiro de um começo, além de poder contar com a flexibilidade de tempo que ambas as profissões permitem.


Esse contexto não aplaca totalmente minhas inseguranças, mas fortalece minhas esperanças!


É preciso ter coragem e convicções firmes para optar ser feliz profissionalmente e acredito que muitas pessoas atualmente têm revisto as definições de sucesso e realização baseadas em dígitos da própria conta bancária!

7 de dezembro de 2010

Despedida

O fim faz lembrar o começo:
O frio na barriga
E todas as incertezas
Os planos futuros como luzes acesas


Coisas novas na agenda
E os sentidos nelas focados
Soma-se tarefas inéditas
Abandona-se hábitos passados


E o fim recomeça
Bem juntinho do início
Todo momento ao seu lado
Sussurrando com um suplício


É só questão de tempo
Lá vem o fim despontando
O meio passaria menos rápido
Não fosse o fim o apertando


A hora do adeus é inevitável
Mas só alguns conseguem ficar
Distraindo-se com lembranças do vivido
Que por vezes fazem o coração apertar


Outros preferem partir
Por vontade ou impossibilidade
De se despedir finalmente
E reiniciar o presente.

25 de novembro de 2010

Uma boa receita para o verão

Decidi experimentar uma receita nova e fui colocando os ingredientes que mais gosto e o resultado foi melhor do que eu pensava!
Fiz um prato de penne com Camarões e lula que ficou leve e saboroso e embora o parmesão e as azeitonas aumentem um pouco as calorias desta refeição, dá pra dar uma fugidinha da dieta sem muitos estragos!


Porção para 4 pessoas
Ingredientes:


250g de anéis de lula
350g de camarões rosa médios
4 tomates maduros
3 dentes de alho inteiros
Meia pimenta dedo de moça pequena picada
¼ de xícara de cebolinha
6 azeitonas pretas grandes picadas
200g de queijo parmesão italiano ou argentino ralado médio
Sal à gosto
6 xícaras de penne
1 colher de café de sal grosso


Preparo:


No dia anterior: Descasque e tire as sementes dos tomates e os corte em cubinhos pequenos, coloque numa vasilha de vidro, tempere com sal e azeite e coloque os 3 dentes de alho descascados e inteiros neste preparado. Deixe marinar por 12 horas na geladeira.
No dia de servir: Pelo menos 3h antes de preparar o prato, tempere os camarões e os anéis de lula com sal e separe.


Preparo do prato:


Comece a cozinhar o penne com uma colher de café de sal grosso.
Leve os camarões para refogar em fogo médio com azeite (ou manteiga) e alho (você deve colocar tudo junto, pois evita que o alho queime). 4 minutos depois, acrescente os anéis de lula e a pimenta e deixe refogar por mais 6 minutos, aproximadamente.
Então acrescente as azeitonas pretas bem picadas e a cebolinha.
Enquanto isso, aqueça os tomates picados por 1’40’’ no microondas, sem os dentes de alho (eles devem ser jogados fora).
Acrescente os tomates e 100g do queijo parmesão aos camarões e anéis de lula e mantenha em fogo baixo deixe por 2 minutos.
Junte à massa ainda quente e sirva, colocando na mesa o restante do queijo para quem quiser acrescentar.
Sirva de preferência com vinho branco.
Bon appetit!

22 de novembro de 2010

Sobre meu TCC, tema: Representação Social das Mulheres Contemporâneas: A Construção da Subjetividade frente às Pressões Sociais

Investigou-se as representações sociais da mulher contemporânea de classe média-alta, entre 35 e 45 anos, casada, com filhos, profissionalmente ativa de nacionalidade brasileira, com foco em sua experiência subjetiva frente às pressões sociais que contemplam: regras familiares, cuidados pessoais, cuidado dos filhos e relacionamento conjugal.
Buscou-se identificar os fatores estressantes contidos nesta realidade, bem como conhecer os ganhos pessoais e profissionais do lugar feminino na atualidade. O instrumento de pesquisa proposto foi a entrevista reflexiva e uma devolutiva realizadas individualmente. Os resultados foram avaliados através de uma análise qualitativa.
Como exemplo de aspectos importantes encontrados nesta pesquisa, temos a maternidade como um forte motivo para mudança na vida da mulher; mudanças essas que, vinculadas à felicidade de ser mãe, denotam o quanto esta nuance feminina permanece ligada à representação social da mulher na contemporaneidade.
Outro aspecto encontrado diz da sensação de autonomia e a satisfação da mulher mãe economicamente ativa, bem como a organização que este lugar requer, especialmente no que se refere à questão do tempo.
Também há um sentimento de sobrecarga de assunção de responsabilidades e, segundo elas, uma boa solução é a inclusão do homem nas atividades cotidianas e no cuidado com os filhos. Nossa pesquisa identificou que há um impacto visto como positivo da independência feminina sobre o relacionamento conjugal.
Esses dados nos permitem concluir que pesquisa é bastante interessante, ampla e capaz de nos encaminhar rumo à compreensão da subjetividade da mulher contemporânea frente às pressões sociais.

12 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2

Nos últimos dias ficou difícil assistir ao filme Tropa de Elite 2. Filas e mais filas marcaram a semana de estréia, culminando em mudanças de planos dos aspirantes a expectadores, fosse de programa ou de filme pra ver.


Finalmente na segunda antes do feriado conseguimos um bom horário pra ver o filme de José Padilha que estreou em 696 salas do país no dia 08 de outubro e ultrapassou a marca de 1,25 milhões de expectadores dois dias após a primeira exibição, atingindo um recorde histórico para um filme nacional. Pra se ter uma idéia, o filme vem superando fenômenos de bilheteria como “Eclipse”.


Tropa de Elite 2 é ainda melhor que o primeiro! Aborda a violência pelo ponto de vista dos policiais e mostra a falta de perspectiva da população brasileira diante desta realidade.


Embora o filme se dê na cidade do Rio de Janeiro, fica impossível não pensar que em todos os outros pontos do nosso país a violência cresce absurdamente a cada dia.


Mas a violência desta vez não é atribuída a jovens ricos consumidores de drogas. O roteiro aborda a corrupção na política e entre os policiais.


Wagner Moura, acredite se quiser, se supera...está extraordinário na “pele” do Capitão Nascimento.


Saí da sessão torcendo pra que os expectadores, ainda que inconscientemente, repensem a permanência do PT no poder, já que Dilma insiste em valorizar a ajuda do governo federal ao Rio de Janeiro e o filme, embora se classifique como uma ficção, mostra muitas faces de situações ocorridas no Rio nos últimos anos.

6 de outubro de 2010

Fórmula Academia

Vivi tantas coisas aqui, fiz muitos amigos, discuti algumas vezes, falei mal, falei bem, chorei pouco e abracei muito. Me lembro do primeiro dia em que entrei por estes corredores, fiquei encantada, deslumbrada, muito impressionada! Quanta beleza, quanta modernidade e que bom gosto!
No mesmo instante decidi:”Vou trabalhar aqui!”

Liguei pra um amigo que me apresentou para a coordenadora da época e em menos de 1 mês, estava eu trabalhando na maior academia da América Latina.

Me lembro que adorava ficar horas treinando, batendo papo, trabalhando, tudo era bom! Doze anos depois...continuo apaixonada.

Sou grata por todo trabalho que consegui aqui dentro, grata pelas pessoas que conheci e pelas amizades que se intensificaram neste espaço. Me lembrarei pra sempre de cada festa de final de ano, de cada aniversário, chás de cozinha, de bebê e casamentos dos quais participei.

Desde segunda passada as coisas estão diferentes, o logo da Fórmula desapareceu das paredes e outro logo tomou seu lugar. Novas salas, novos equipamentos, nova decoração, nova arquitetura...

Me despeço aos poucos de tudo que o nome Fórmula Academia representa pra mim e guardo carinhosamente todos os momentos que vivi aqui.

Um novo tempo está chegando, um novo nome já chegou e embora seja difícil dizer adeus a uma representação tão importante, digo agora! Mas não sem antes deixar registrado o que significa pra mim.

Começo agora uma nova fase no mesmo lugar, com muitas das mesmas pessoas de doze, dez ou cinco anos atrás, dividida entre a alegria de continuar sendo parte viva deste lugar e a tristeza de deixar pra trás um nome tão expressivamente cheio de memórias.

23 de setembro de 2010

In Treatment

Independentemente dos interesse e da ocupação profissional, dificilmente encontramos alguém que não goste do tema Psicologia.

Talvez por causa do desejo de saber um pouco mais do nosso funcionamento emocional e mental, que faz parte da busca neurótica por explicações: sobre mim ou sobre o outro.

In Treatment é uma série de TV americana, transmitida aqui no Brasil pela HBO que mostra Psicoterapia de uma forma inédita, bem próxima do real. A série, que está “de férias” no Brasil, estreiará sua 3ª temporada nos EUA em outubro.

Os episódios costumam ser transmitidos diariamente (5x/semana) sendo que, em quatro dos episódios o Dr. Paul Weston (Gabriel Byrne) atende um de seus pacientes e no 5º é atendido por sua analista. Até o final da temporada, cada paciente chega a ser atendido em média 9
vezes.

Embora o cinema há muito aborde a Psicoterapia ou, mais especificamente, a relação entre Paciente e Analista, este seriado apresenta o “setting” terapeutico ao pé da letra, considerando inclusive as questões contratransferencias que surgem e são, algumas vezes interperetadas e em outras, atuadas.

A série é produzida por Rodrigo García Barcha  e é vencedora de um Globo de Ouro e dois Emmys. Foi baseada na série israelense Be’tipul de Hagai Levi.

Os pacientes da 1ª Temporada são:
* Segunda-feira: Laura com profundas questões transferenciais.
* Terça-feira: Alex um oficial da marinha enfrentando situações emocionais intensas.
* Quarta-feira: Sophie, uma ginasta de 16 anos, sofrendo com sua inabilidade para se relacionar (com seus próprios desejos e com o Outro). Sophie é minha predileta, uma história tão emocionante que me fez chorar em alguns momentos.
* Quinta-feira: Jake e Amy numa terapia de casal.
* Sexta-feira, Paul é atendido por Gina (Dianne Wiest), sua analista.

Sei que sou suspeita pra falar do assunto, mas a série é mesmo incrível, inclusive está também é a opinião de algumas pessoas que não são da área da Psicologia, mas que adoraram o seriado. Vale a pena ver.

8 de setembro de 2010

Resposta ao tempo

Estou lendo um livro muito bom chamado: Tempo e Subjetividade no Mundo Contemporâneo: Ressonâncias na Clínica Psicanalítica de Marília P. B. Millan.
A autora nos leva a pensar na influência intensa do tempo sobre a subjetividade do “homem” contemporâneo ao falar da velocidade capitalista e tecnológica de um tempo/espaço globalizante que pressiona e altera a nossa percepção de presente, passado e futuro e dá a sensação de fluidez sobre os momentos, sobre a vida, sobre as relações.
Ainda não terminei minha leitura. Por enquanto, quando leio, me pego "cantando Nana Caymmi" e fazendo muitas associações psicanalíticas que a música e o livro permitem.


Batidas na porta da frente
É o tempo
Eu bebo um pouquinho
Prá ter argumento
Mas fico sem jeito
Calado, ele ri
Ele zomba
Do quanto eu chorei
Porque sabe passar
E eu não sei

Num dia azul de verão
Sinto o vento
Há fôlhas no meu coração
É o tempo
Recordo um amor que perdi
Ele ri
Diz que somos iguais
Se eu notei
Pois não sabe ficar
E eu também não sei

E gira em volta de mim
Sussurra que apaga os caminhos
Que amores terminam no escuro
Sozinhos

Respondo que ele aprisiona
Eu liberto
Que ele adormece as paixões
Eu desperto
E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder
Me esquecer