23 de dezembro de 2009

Quebra Nozes...Emocionante!

Quanta emoção um espetáculo de ballet pode te causar? Se me fizessem esta pergunta há menos de uma semana eu não saberia responder, mas agora eu consigo inclusive descrever cada sensação que tive nos diferentes momentos da apresentação. No último sábado eu assiti ao ESPETÁCULO de Ballet QUEBRA NOZES em montagem da coreógrafa Dalal Achcar para o corpo de bailarinos do Municipal do Rio de Janeiro. Após ter estudado nas melhores escolas de Nova York, Londres e Paris, a carioca Dalal tornou-se conhecida como uma esplêndida bailarina, professora e coreógrafa de ballet. Eu só posso dizer que ela merece, as coreografias são deslumbrantes!

Assistir ao ballet foi, enfim, uma experiência incrível, não só porque a apresentação foi maravilhosa, mas também porque eu tenho verdadeira paixão por dança. Durante a apresentação, fascinada por meias-pontas perfeitas e pela graciosidade e excelência na execução de arabesques, piruetas, attitudes, fouettés e chacéss, eu me senti em uma dimensão diferente, hipnotizada diante do poder de acelerar meu coração que a música de Tchaikowsky e a aquela coreografia tinham. A palavra Ballet é derivada do italiano ballare, que significa bailar, mas o que eu assisti no sábado foi muito além da definição "auréliana" de bailar, aqueles bailarinos flutuavam através de multiplas piruetas, ora no chão, ora nos ares.

A estreia de o Quebra Nozes se deu em 18 de Dezembro de 1892 com coreografia original de Marius Petipa (1818-1910), na Rússia, porém, assim como outras obras de Tchaikowsky - O Lagos dos Cisnes e a Bela Adormecida, o ballet Quebra Nozes se ocidentalizou, tendo sido apresentado primeiramente em 1954 no New York City Ballet com coreografia de George Balanchine e posteriormente por Rudolf Nureyev, Royal Swedish Ballet (1967) e England's Royal ballet (1968) e Mikhail Baryshnikov, American Ballet Theatre (1976). Com tantas produções, o Quebra Nozes se tornou um dos mais famosos espetáculos no clássico repertório natalino, no teatro, no balé e no gelo.

Outro fator que colaborou para difundir esta obra se deve ao fato de Tchaikowsky utilizar-se em sua composição de elementos de diferentes culturas, como é o caso do "Divertissement" (Divertimento), momento do segundo ato no qual assitistimos uma seqüência de danças de caráter, como o Chocolat: Danse Espagnole (Chocolate: dança espanhola) que se trata de um bolero estilizado destacando-se um solo de trompete e castanholas. É também nesta obra que ouvimos uma das músicas mais conhecidas de Tchaikowsky - aquela que toca no comercial de Natal do Shoping Bourbon, sabe?!.
Uma curiosidade do Quebra Nozes é que, embora as suites de balé sejam normalmente realizadas depois da peça pronta, no caso desta obra foi elaborada ao mesmo tempo de sua composição.

A História:

Se passa no século XIX, na Europa Oriental. Como prefeito da cidade, o médico Jans Stahlbaum realiza uma grande festa de Natal para sua família e amigos. Seus dois filhos, Clara e Fritz, esperam ansiosos por seus convidados que chegam com as mãos cheias de presentes para as crianças, mas é o presente que Clara recebe de seu padrinho que a encanta, um quebra-nozes que em seguida é quebrado pelo irmão da menina. Fato que deixa Clara completamente desapontada. Mais tarde, os convidados começam a deixar a casa e Clara vai para a cama, sem conseguir dormir, volta ao salão onde havia acontecido a festa e adormece numa poltrona com seu boneco nos braços. Neste momento começa a aventura da garota com o boneco quebra nozes que toma vida, luta com ratos malvados comandados pelo Rei dos Ratos e que são corajosamente derrotados pelo quebra-nozes.
O passeio de Clara e o boneco quebra-nozes continua por diferentes cenários acompanhados por lindas coreografias realizadas por bailarinos fantásticos.

Vale a pena assistir!

7 de dezembro de 2009

TERAPIA BOWEN...Você ainda vai ouvir falar muito a respeito!

A terapia Bowen é uma técnica de tratamento que leva o nome de seu criador, Tom Bowen, um australiano falecido em 1982, que desenvolveu este trabalho inovador em sua clínica em Geelong, Vitória, durante 32 anos. Apesar de não ser assim tão jovem e ter sido bastante difundida na Europa, Japão e, especialmente, na Austrália, a Terapia Bowen é uma novidade no Brasil, para se ter uma idéia, há apenas 10 especialistas da técnica em todo país, entre estas pessoas orgulhosamente estou eu!
A técnica consiste em aplicar movimentos nos músculos, tendões e ligamentos específicos, iniciando o relaxamento muscular e a redução da pressão sobre os nervos. Estes movimentos se caracterizam por uma manipulação cruzada suave da fibra da fáscia muscular ou do tecido conjuntivo.
A fáscia muscular, além de recobrir todo o corpo, permite a “comunicação” entre cada parte dele. Comportamentos como: postura física inadequada, excesso ou falta de atividade física, movimentos repetitivos, padrões ineficientes de movimentos pré-estabelecidos, contusões mal curadas e desequilíbrio muscular, entre outros, tendem a deixar a fáscia muscular desidratada e endurecida, causando dores e processos inflamatórios.


O movimento Bowen é um estímulo manual (movimentos de rotação) realizado em pontos específicos e traz alívio e tratamento à maioria dos sintomas físicos apresentados - doenças físicas, queixas musculares, estruturais e viscerais, pois o relaxamento da fáscia muscular proporciona maior irrigação sangüínea local, drenagem linfática e equilíbrio energético.


O processo consiste em dar-se um estímulo local sobre a pele do paciente(movimento Bowen) que ativa a fáscia muscular de uma maneira específica ativando os receptores que sinalizam resposta ao Sistema Nervoso Central. O SNC decodificará este estímulo e responderá a ele atuando sobre o local machucado de forma a gerar um processo de auto-ajustamento, equilíbrio dos sistemas Simpático e Parassimpático e, por fim, a cura.


A técnica é considerada, portanto, uma modalidade dinâmica de relaxamento fascial e muscular. O corpo recebe o estímulo e responde de acordo com a necessidade de ajuste individual.

Numa linguagem mais simples...segue o depoimento de uma das primeiras pessoas que eu atendi, ela faz ballet e treina musculação pesado, sentia dores lombares e nos ísquios e depois da primeira sessão, me escreveu:
"Dê querida, to impressionada com a técnica de Bowen. Não sei explicar direito, mas to muito melhor. Diria 70% melhor das dores e com uma sensação de corpo leve com cansaço (estranho, né!). Mtu mtu mtu obrigada, quero ser cobaia sempre, rsrsrs. Mts bjs, Rê."
Saiba mais:
http://www.terapiabowen.com.br/

6 de dezembro de 2009

Comer, beber e conversar.

Que dia mais gostoso...! Diferentemente de muita gente, eu gosto de domingo, a gente acorda mais tarde e pode assistir TV sem pressa, com direito a cochilos que podem ou não respeitar a programação...
A-DO-RO!
Mas hoje pra mim foi um domingo particularmente delicioso, recebi pessoas queridas em casa e estreei uma receita especial, cheia de ingredientes saborosos que juntos ficaram ainda melhor!
Com o ego ainda inflado pelos elogios que recebi, escrevo a receita aqui, mas aviso... como toda amante da culinária, fiz adaptações, de acordo com meu gosto pessoal, a algumas receitas de molho pesto que pesquisei.

PENNE AO PESTO COM CAMARÕES

Ingredientes:

1/4 de xícara de manjericão
1/4 de xícara de salsinha picada
1/2 xícara de azeite de oliva
3 tomates médios maduros bem picados
150g de parmesão italiano ralado
2 dentes de alho
10 nozes
1/2 xícara de chá de conhaque para flambar
3 colheres de manteiga
Sal grosso a gosto
800g de camarão rosa

Preparo:

Tempere os camarões com sal, pimenta e meio limão e reserve.
Pique os tomates em pedaços bem pequenos e reserve.
Bata no liquidificador: o manjericão, a salsinha, as nozes, o azeite, os dentes de alho e o sal grosso. Bata até formar uma pasta, coloque num recipiente e acrescente o queijo ralado, reserve.
Numa frigideira grande coloque os camarões e deixe cozinhar por cerca de 4 minutos, acrescente o conhaque e flambe.
Enquanto isso, numa panela grande, coloque os tomates picados junto com a manteiga, por alguns segundos (não precisa esperar a amnteiga derreter).
A esta altura os camarões estarão prontos, junte-os ao tomate e acrescente a pasta. Misture tudo e acrescente o Penne cozido.
Deixe poucos minutos para que o azeite não perca o sabor e sirva num refratário.
Acompanha vinho branco ou tinto.

Dica:

Se você não gosta de camarão, pode fazer o molho pesto com a massa e servir com uma carene ou um peixe.

4 de dezembro de 2009

Dormir nunca é pensado como um simples verbo!

Como é bom Dormir...!
Dormir uma noite inteirinha, cheia de sonhos imemoráveis, por causa da amnésia causada pela profundidade da experiência deste sono invetero.

Noites assim produzem manhãs diferentes, a começar pelo momento exato do acordar propriamente dito. O despertador toca e a pessoa experimenta uma desorientação de tamanha amplitude que passa a se perguntar sobre o que é vital: "quem sou", "onde estou", "o que está acontecendo?".
Perguntas em geral repetidas apenas por um adulto mentalmente sadio em momentos de crise intensa ou após uma mau súbito severo.

Com o corpo as coisas também ficam diferentes, os olhos são os primeiros a responder à ordem dada pelo Sistema Nervoso Central de acordar, mas o cumprimento deste decreto mental vem acompanhado da sensação de que o corpo não tem condições de realizar quaisquer movimentos, desde os mais básicos como uma simples torção de espreguiçamento ou uma mudança de posição, deitado mesmo, sobre a cama...macia, quentinha, ainda mais desejada do que na noite anterior.

Uma noite bem dormida é de dar inveja a qualquer um, ainda que esta pessoa não sofra de insônia. Se sofrer então...dá até pena de comentar este prazer, chega a ser maldade, pura falta de consideração e humanismo!

Enfim, utopia de médicos em plantão e provavelmente de guardas-noturnos e mães de recém nascidos, uma boa noite de sono recarrega nossas energias e nos dá ânimo para recomeçar, com sonhos então, pra mim representam um prazer imenso!

Há algum tempo eu não tinha uma noite dessas, mas consegui uma ontem e ainda sinto o gostinho dela no corpo, um gostinho, como dizem, de quero mais, ai ai...!

Escrever este post me deu vontade de escrever outro, epecificamente sobre sonhos e Psicanálise, mas vou deixar pra outra hora, porque tá me dando um sono...!

3 de novembro de 2009

Epílogo do livro: Nunca lhe prometi um jardim de rosas, by Deise Navarro

Era uma típica manhã de primavera. Deborah podia sentir o ar fresco que entrava pela fresta de sua janela e parecia energizar seu corpo todo ao ponto de despertá-lo. Ao descer do seu antigo quarto, viu a mesa pronta e o cheiro de café lhe abriu o apetite.
- Bom dia querida, dormiu bem? Perguntou Esther.
- Sim mãe, muito bem. Respondeu Deborah sentando-se à mesa.
- Oi filha! Jacob parecia bem desperto, pudera, havia acordado há muito tempo. Tempo suficiente para aparar a grama e organizar algumas coisas na garagem.
Deborah não sabia por onde começar, bolos, pão fresquinho, - Que delícia, tentarei não exagerar! Lembrou-se de su
a dieta. Continuou a conversa trivial com a mãe, até que Suzy entrou na cozinha. Sua presença interrompeu o diálogo e ambas foram em sua direção.
- Parabéns maninha! Hoje é um dia especial! Disse Deborah enquanto a abraçava.
- Nossa filha, como estou feliz por você! Se o vovô estivesse aqui...! A mãe nem bem terminou de falar quando Jacob entrou e foi em direção à Suzy e num forte abraço levantou-a do chão. Deborah e Esther se entreolharam e decidiram participar deste momento, num grande e cúmplice abraço em família. Após se recomporem, Susy disse:
- Debby!!! Tome logo este café! Ainda temos muitas coisas pra providenciar!
- Calma Suzy, vai dar tudo certo, ainda dá tempo! Disse Debby sem convencer a irmã que a puxou pelo braço e a levou, derrubando algumas gotas de café pelo caminho. Após entrarem em muitas lojas, a busca chegou ao fim, lindos sapatos que combinavam com seus lindos vestidos! E embora Debby tivesse receio de estar sendo egoísta, não pôde interromper as associações que passeavam, livres, em sua mente:
- Daqui há pouco tempo serei eu a comemorar! Imaginando sua própria formatura.
O dia foi de alegria e excitação, logo chegaria a hora do baile e Debby continuava a acalmar Suzy, bradando um confere! a cada item da lista da irmã.
Era fim de tarde, enfim, e Debby se olhava diante do espelho com seu vestido de gala, linda! Ainda imaginava o orgulho que Furii sentiria se a visse naquela hora, quando Suzy, explodindo de felicidade, entrou no quarto e a abraçou dizendo: - Que bom que você veio!
Chegando ao baile Deborah encantou-se com tantas flores, cores, luzes e a beleza das pessoas produzida por uma alegria compartilhada, era sua primeira participação num baile. Suzy foi ao encontro de suas amigas de sala para ensaiar os rituais tradicionais de bailes de formatura. A adrenalina que Deborah experimentava causava-lhe um prazer que nem os melhores anos em Yr poderiam proporcionar. – Minha irmã querida se formando! O orgulho não se limitava à formatura de Suzy, mas também ao fato de tê-la influenciado, de alguma forma, em se tornar uma Psicóloga.

Neste momento, um grupo de garotas veio ao seu encontro. - Debby!! Você veio?! Disseram sorrindo. Deborah sentiu seu coração disparar, suou frio e teve medo, mas respirou fundo. Não há perigo, pensou. Esta será uma noite de fortes emoções e eu escolho experimentar todas! Sentiu-se querida pelas garotas. Depois que se afastaram, lembrou-se do que Furii lhe disse um dia: - Pra quem supostamente fundiu a cuca! Nada mal mesmo esse talento para a vida! (p. 197) e sentiu orgulho de si mesma.
O baile durou a noite toda e a essa altura os pais das debutantes, em sua maioria bêbados, chegavam a cochilar nas mesas, na medida em que a música alta e animada dava lugar à melodias mais tranqüilas. Debby permanecia num canto do salão, enquanto Suzy e suas amigas estavam ao centro, diminuindo o ritmo da dança. Ao se perceber sozinha, começara a sentir um pouco de angústia e solidão, quando alguém tocou-lhe no ombro.
- Dança comigo? Disse um rapaz alto e simpático. Ao que Deborah respondeu: - Não levo muito jeito pra isso. Imaginando que assim, despistaria o rapaz. Diferentemente do que ela esperava, ele não desistiu: - Eu também não! Podemos tentar pisar o mínimo possível no pé um do outro, o que acha? Debby decidiu aceitar a mão que estava estendida diante dela.
No vai e vem da dança, seus pés pareciam nem tocar o chão e uma frase surgiu em sua mente: - Seja feliz Debby! Sorriu, sabendo que era ela mesma quem desejava aquilo!
Enquanto dançavam, ela se deu conta das mudanças que estava experimentando, já havia passado oito anos desde que saíra do hospital e, apesar de muitas vezes os sintomas quererem voltar, Deborah agora se conhecia bem, sabia usar sua pulsão de vida como ninguém! Seus estudos na faculdade de Artes Plásticas, juntamente com as duas sessões semanais de Psicanálise fortaleciam sua auto-estima e ela se amava cada dia mais.
Pouco a pouco a vida ia tomando mais espaço dentro dela e sempre que pensava no assunto, se convencia que havia feito uma boa escolha optando pelo mundo real, ainda que, depois disto, tivesse se apoiado muitas vezes na seguinte frase de Furii, para continuar em frente: “Nunca lhe prometi um jardim de rosas!” e Debby constatou que esta era uma verdade, embora sua tese pessoal dissesse que a vida era um lindo jardim, mas que suas rosas, apesar de belas, tinham espinhos que podiam ferir tanto quanto algumas queimaduras de pontas de cigarro. “O tumor” desaparecera definitivamente no penúltimo verão e sentia sua mente livre para estudar e estar perto dos amigos e da família. Trinta anos de vida! Lembrava satisfeita da festa surpresa que Suzy preparou em seu último aniversário. Hoje não vou precisar de algum sedativo?! Não sabia se devia perguntar ou afirmar. Decidiu então deixar pra lá seus pensamentos e aproveitar o momento. Envolvida nos braços do rapaz, cantarolava a linda música que tocava.

13 de outubro de 2009

À luz da escuridão

Olhos fechados, prefiro não abrir
Medo de olhar, medo de ver, de constatar
O escuro é seguro ainda que eu nada veja
E esse medo que não chega de assustar e me prender
A voz se cala e de muda, grita!
Num tom inaudível tenta despistar, destemer
O profundo escuro obscuro e duvidoso, mas seguro, seguro!

O tempo vai passando e o que antes era escura-mente ideal
Perde o sentido, precisa mudar.
Claro que sim! Tão claro assim quanto a segurança do antigo
Embora aquele, tão escuro, fosse suficiente pra mim.
Como a força de uma onda meus olhos insistem em abrir
Ao me deparar com a ausência do escuro
A angústia não me deixa ver

Aos poucos vou me acostumando
Na medida em que sigo sonhando
Já não me basta mais o escuro
Prefiro agora o brilho inseguro do experimentar constante
Ainda que de fugazes instantes.

Feminino

Temas recorrentes no discurso misógino medieval implicavam na manutenção do controle da mulher, impedindo-a, de acordo com a mentalidade da época, de influenciar diabolicamente o respeitável homem. Este é um dos exemplos históricos, provavelmente o menos dissimulado entre todos os outros, que deflagra a submissão imposta à mulher pela sociedade machista. Ideal que foi capaz de perdurar ao longo dos séculos, traduzindo um medo autenticamente masculino.
Acontece que tanto receio não pôde evitar o que veio a se concretizar no século XVIII, momento em que a família ocidental se vê desafiada pela irrupção do feminino junto ao advento da burguesia, que outorgou o lugar central no seio familiar à maternidade e permitiu à mulher a ocupação de um espaço social.
O declínio do poder onipotente do masculino é sublinhado pelo Édipo de Freud e a função paterna é colocada em cheque, correndo o risco de passar a ser um posto apenas simbólico, coadjuvante do interesse central das recém inauguradas ciências – sociologia e psicologia: a mulher e a família nuclear.
Em meados do século XVIII, inicia na Inglaterra a Revolução Industrial que se expande pelo mundo, funda a classe trabalhadora masculina e fixa a mulher dentro de casa, cuidando dos filhos, dos afazeres domésticos e garantindo o bem estar do marido que volta ao lar depois de um dia duro de trabalho.
Esta era a conjuntura sócio-econômica do mundo capitalista, quando acontecimentos marcantes do ponto de vista de toda a humanidade – as duas Grandes Guerras Mundiais, vêem manchar a história da raça humana e ao mesmo tempo determinar definitivamente o lugar da mulher, agora, no mercado de trabalho. Durante a guerra, a escassez da força masculina e a fome iminente impeliram a sociedade à quebra dos paradigmas das diferenças sexuais e o sexo “frágil” arregaçou as mangas e foi à luta! Mesmo longe dos campos de batalha.
Apesar da discriminação sofrida pelas mulheres que envolvia baixos salários, longas jornadas de trabalho, assédio sexual e maus-tratos dos chefes, gradativamente o trabalho feminino foi ganhando status e passou a ser importante na economia doméstica.
Ao chegar a meados do século XX, a família nuclear entra numa crise atribuída à questão da centralização familiar na figura da mãe e a família dita contemporânea se impõe, caracterizando-se como um arranjo em que dois indivíduos vivem juntos ao longo de um tempo de duração relativo, em busca de uma relação intima ou de realização sexual. Porém, a modernidade parece não ter conseguido aniquilar um aspecto do feminino que se manteve como um poderoso sinônimo cultural de mulher, a maternidade.
A realidade dos gêneros na era contemporânea passa a apresentar um contorno interessante, em meio às novidades do mundo moderno, uma idéia retroativa suscita: a mulher volta a ser um enigma. Para o homem por causa do impacto de seu novo papel social e para ela mesma, porque a intensa influência de padrões sociais que buscaram ligar a identidade feminina à identidade materna, parece ter gerado dificuldade no processo de definição de cada uma das suas auto-representações.
Nasce um novo recorte do feminino, que abrange perspectivas inusitadas e promove um momento único na história da humanidade, trazendo mudanças no campo das sexualidades e tendo como ponto de partida a reflexão do movimento feminista há 60 anos, que se destaca pelos entorses da crise do masculino em meio a ascensão do feminino.
Nos anos 50, Simone de Beauvoir lança os primeiros “flashes” de luz sobre a ótica feminista e acaba por enunciar o esboço da condição feminina universal:de uma posição social de subordinação que definia a identidade feminina como estando escorada no papel de reprodução biológica, para o nascimento da imagem da mulher como espécie política.
Na histórica frase: "Não se nasce mulher, torna-se mulher" da autora (BEAUVOIR, 1953) apresenta-se a identidade feminina como uma construção social e não um determinismo biológico. Desta forma, a hegemonia das explicações biológicas passa a ser repudiada e é substituída pela edificação social do feminino.
A mulher se vê diante de um novo tempo que promete independência, liberdade de escolha e de conduta marcado pelo advento da pílula contraceptiva.
Cada milímetro de espaço social e de autonomia alcançada pela mulher atinge de forma impactante a idéia sobre a definição social dos gêneros e, desta forma, flagra-se a banalidade de toda uma tradição antropológica que pretendia defender a ideologia da hierarquia entre os sexos, onde a dominação masculina se transforma em algo passível de ser naturalizada.

1 de outubro de 2009

Isso é coisa da sua cabeça!!

Eu gosto muito do quadro com este nome da Band News FM. Nele, a colunista Inês de Castro investiga impressões e verdades inquestionáveis, conceitos, que depois de ficarem algum tempo em voga, acabam recebendo o status de científico sem, muitas vezes, terem sido profundamente estudados. Idéias que penetram o senso comum e preenchem grande parte do que se considera real, são ‘in’-cucadas por muita gente e determinam comportamentos, preconceitos e escolhas.
Se colocarmos à parte o filtro de caráter educativo do programa da rádio, que acaba por definir temas em discussão, creio que encontraremos, profundamente inseridos em cada um destes assuntos, sentimentos de angústias e a busca por segurança comum a todos nós.
Fazendo então uma transferência desse raciocínio para a esfera humana do cotidiano, penso que as coisas que são “coisas da nossa cabeça”, não se limitam às questões existenciais ou comportamentais de um grupo de pessoas culturalmente afim.

Eu diria que boa parte das nossas opiniões inflexíveis estão relacionadas à tendências projetivas e paranóicas que, funcionalmente, ocupam nosso pensamento – consciente ou inconscientemente, e dão origem à teorias auto-referentes que investigam os sentimentos e a opinião dos outros ao nosso respeito.
Outra parte destas idéias, com características mais neuróticas, colabora para a criação e a manutenção de regras e rituais que garantam níveis toleráveis de ansiedade. No final, tanto umas quanto as outras se associam de alguma forma àqueles conceitos inquestionáveis e nos influenciam diariamente.
Quando nos invadem de supetão, “as coisas da nossa cabeça” provocam dúvidas intensas e nos levam à busca de explicações racionais que visam afastá-las do aqui e agora, movimento que não consegue impedir que voltem, nem que passemos bastante tempo tentando comprovar sua veracidade através da análise de situações suspeitas e sinais, por vezes imaginários, que corroborem pras nossas inconvenientes teses.
Nesse clima, qualquer indício de comprovação nos leva de volta ao começo de tudo, desfazendo todas as racionalizações protetoras e fazendo nascer uma pontinha de angústia e muita insegurança.
Coisas da nossa cabeça são mais do que um produto da função mental do pensamento.
Coisas da nossa cabeça não passam de coisas do nosso coração!